terça-feira, 27 de julho de 2010

Passou, baby! Passou.

Sobre perda é tão fácil escrever. Todos sabem, todos sentem. É tão fácil perceber que... perde-se um olhar, um sorriso, um riso imaculado. Perde-se a fronteira, a eira e a beira. Perde-se o ônibus, e os primeiros minutos da aula imperdível de literatura. Perde-se aquele professor que te faz querer ser melhor do que pode-se imaginar ser. Perde-se aquele cd favorito e o livro que te fez viajar em gravuras mal recortadas na infância. Perde-se a inata capacidade de sonhar. Perde-se a irrefreável vontade de gritar. Perde-se a vontade de chorar quando o tempo lhe vira as costas. Perde-se a saudade. Perde-se gotas de saudade. Perde-se litros de amores e várias garrafas. Perde-se aquela vontade de correr para os braços de quem abre a porta todos os dias. Perde-se a vontade de abraçar. Perde-se um abraço. Perde-se um braço em lutas horizontais. Perde-se o perdão. Perde-se o perdoar. Perde-se a chance de atirar do canhão. Perde-se um cigarro aceso. Perde-se um beijo do seu batom. Perde-se o reflexo no espelho. Perde-se as espinhas imaturas. Perde-se o símbolo sexual dos anos 60'. Perde-se os heróis. Perde-se o rockn'roll. Perde-se o samba. Perde-se o amigo, a amiga e aquele o qual ninguém lembra o nome, mas te disse o que nunca imaginou. Perde-se a imaginação. Perde-se um coração. Perde-se a crase e a trema, o hífen fica pra depois... é, sobre perda é fácil escrever, quando a gente percebe que não existe perda, apenas movimento.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Sou o que penso ser, sou o que pensam que sou. Não sou mais do que posso ser. Sou menos que você pede ser. A tudo ofereço a razão, disposta em sobremesas lunares. Sempre que tiro o pé do chão me encontro exposto a anjos medievais. Guerreiros sociais, batalhas naturais. Enquanto o novo não vem eu fico aqui, cantarolando dizeres cruciais. Você não ouve o que posso perder, nem sente o que posso dizer.

Rw Fw

A oportunidade bateu e refrescou o que havia de tosco. Tentei rever o que havia deixado. Tentei rever o que havia de errado. Uma bola de canhão certeira no que chamam de perdão. Memória fraca, me ajuda a continuar, o dificil é lembrar. Recordar do que era, antes do vulcão. Sabia que era novo. Sabia que era bom. Agora só me lembro de estar sentado na esquina sem vontade de voltar. Se fosse tão bom estaria a venda, e não em liquidação. Nem créditos no cartão poderiam retomar a alegria que existiu. Slow motion. Reward. Rever tudo em fast forward. Depois sim, acordar!
Quanto tempo ainda nos resta? Agora que tudo se tornou risos. Ouve-se de longe, apenas observa. Absorve, o que de melhor há em ti. Eles esqueceram quem alguém sangrou. Sussurre uma canção, antes de o trem partir. Alimente aquela semente, mesmo que lhe custe, sangre mesmo que não escutem. Até agora tudo normal, nada corporal. São apenas frases e teorias incondicionais dispostas virtualmente. Por entre os dentes, grito que não se vá, na mente guardo a lembrança de um dia ter visto você passar. Guardo segredos em um pacote nuclear. Na mochila escondo os meus desejos. Quando poderemos dizer que o real aconteceu? Quando o real poderá acontecer? É possível que alguém diga, loucura passional, mente virtual, deram um nome, exportaram o racional. Até quando seremos portadores de logaritmos irreais?